24 de maio de 2011

Mas...o que o samba tem a ver com roupa?

Tudo, oras! Mas eu sei que isso não responde tudo.


Então, rebobina a fita (essa coisa antiga mesmo) para o fim da década de 1920, época em que surgem nos morros do Rio de janeiro, novas gerações de compositores de samba que, além de se caracterizarem pelo improviso melódico (menos erudito) e por uma vida menos regrada que aquela imposta pela idéia de uma vida moderna e progressista, tinham, como marca, uma forma peculiar de se vestir.

Mas quem acha que esses caras deixavam a desejar na indumentária, engana-se! Fizesse chuva ou sol, essa turma de boêmios, frequentadores dos prostíbulos da zona portuária, não dispensavam terno, gravata, bons sapatos e um belo chapéu. aliás, nessa época, a figura do sambista se aproxima a de um personagem bem conhecido pelo brasileiro, a ponto de tornarem sinônimos: o malandro. Membros de classe pobre, os sambistas do morro aceitavam, no máximo, fazer pequenos "biscates".



As composições feitas por eles quase não lhe rediam prestígio (visto que a maioria vendia não apenas suas canções, mas a parceria de intépretes e compositores famosos no mercado musical da época), mas até que rendiam alguns contos, sem precisar "trabalhar pesado", como eles mesmos diziam.


Esta recusa ao trabalho refletia-se no uso das roupas destes sambistas. Contrapondo-se ao terno preto, geralmente usado em ocasiões formais (como no trabalho ou nas cerimônias) pelos brancos e mulatos da sociedade burguesa, o compositor Bide ironiza ao lançar o tradicional traje na cor branca, como marca simultânea de aceitação e rejeição das regras impostas pela sociedade moderna.

Essa brincadeira eternizou o estilo Malandro e o seu oposto, o Almofadinha, estilo do trabalhador da cidade, do homem de negócios, pai de família.

Neste meio também surgiram nomes no samba. Estudantes universitários, funcionários públicos, burocratas de repartição etc.: todos, à noite, frequentadores de cabarés e bares do centro carioca, trouxeram grandes contribuições ao gênero musical, dando-lhe um aspecto menos vadio (visto que esta classe trabalhadora se identificava com seu universo), mas não menos boêmio.

Malandro ou Almofadinha, moda era algo que preocupava os sambistas em geral, pois se Bide ocupo-se em reinventar o terno, invertendo sua cor, Noel Rosa, por outro lado, preocupava-se em andar literalmente "na moda" ao compor o samba Com que Roupa?, em 1930.

Aliás, esse nome de samba é bem familiar, não é mesmo? rs

Bjs!

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